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4.4. Hepatite é assintomática

MS divulga dados iniciais do Inquérito Nacional de Hepatites Virais

 

Kélia Jácome

especial para o Viva

 

Por ser assintomática nos primeiros anos, a hepatite - tanto a do tipo B quanto a do C - acaba tornando a maioria dos portadores do vírus completos desconhecidos de que o mal irá se cronificar e da necessidade de iniciar os cuidados antes que isso aconteça. Esse fato motivou o Ministério da Saúde a realizar um estudo com vistas a mapear os casos de hepatites (A, B e C) no Brasil, iniciativa pioneira na América Latina.

 

Apesar de não haver ainda dados estatísticos sobre a doença, a Organização Mundial de Saúde (OMS) acredita que existam 400 milhões de portadores do vírus de hepatite do tipo B e 170 milhões de pessoas contaminadas pelo tipo C - forma mais letal da doença - em todo o mundo. No Brasil, os dados aproximados indicam 4 milhões de infectados com a forma B e 2 milhões com o tipo C.

 

Estima-se, segundo o professor de Hepatologia da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), Hugo Cheinquer, que dos brasileiros que têm o vírus da hepatite B, apenas 10% tem conhecimento do fato (cerca de 400 mil pessoas). Desses, somente 10% recebem tratamento (cerca de 40 mil pessoas).

 

Os dados iniciais do Inquérito Nacional de Hepatites Virais, referentes aos casos de infectados das três macrorregiões já pesquisadas - Nordeste, Centro-Oeste e Distrito Federal - foram apresentados durante o XVIII Congresso Brasileiro de Hepatologia, realizado na semana passada em Campos do Jordão, São Paulo. Antes do levantamento, iniciado há um ano e com previsão de conclusão no final de 2006, apenas os Estados Unidos, França e Itália haviam realizado um trabalho semelhante.

 

INFECTADOS -

 

“O governo brasileiro é um dos poucos que oferece tratamento gratuito da doença. O gargalo do problema é saber quem são e onde estão os doentes”, diz o especialista. Entretanto, ele acredita que o governo não esteja preparado para identificar esses 4 milhões de pessoas, ‘‘uma vez que a saúde no Brasil é voltada para solucionar os problemas e não para prevenir’’, afirma.

 

TRATAMENTOS - Existem vacinas para as formas A e B da hepatite. Elas são oferecidas gratuitamente para crianças e adolescentes. A prevenção das duas formas da doença, de acordo com Cheinquer, é o ponto crítico do problema, já que é mais fácil prevenir que tratar.

 

O tratamento da hepatite leva, em média, de seis meses a um ano, segundo o médico epidemiologista e Coordenador Nacional do Inquérito, Ricardo Ximenes, que esteve em Fortaleza, em outubro de 2004, coletando amostras de sangue para a pesquisa. “Consome cerca de R$ 3 mil/mês por cada paciente assistido pelo Sistema Único de Saúde”, diz. Já uma dose da vacina B custa R$ 50,00. A vacina deve ser aplicada em três doses. Depois da primeira, a segunda dose deve ser recebida após 30 dias, enquanto a terceira em 180 dias. “Esse é o problema. As pessoas esquecem de tomar as outras doses”, afirma Cheinquer.

 

Fortalecer a necessidade de campanhas de vacinação para o tipo A e B (não existe vacina para o tipo C) é um dos objetivos da pesquisa. De acordo com Ricardo Ximenes. o projeto visa organizar os serviços de saúde para atender uma demanda que deve ser identificada com a conclusão do inquérito.

 

O projeto é nacional e já foi realizado em todas as capitais do Nordeste, Centro-Oeste e no Distrito Federal. Em novembro, será a vez da região Sul. No início de 2006, a pesquisa será realizada nas regiões Sudeste e Norte do país. Em todos os estados, 15 mil domicílios serão visitados. Durante as visitas, são aplicados questionários e colhidas amostras de sangue para análise. Em Fortaleza, foram visitadas 762 residências sorteadas nas seis Secretarias Regionais.

 

Os portadores dos vírus da hepatite B e C (identificados pelos exames) recebem uma correspondência, um mês após a coleta de sangue, indicando onde poderão receber tratamento gratuito. Também está sendo oferecida, sem custos, a vacina para as pessoas que não tiverem tido nenhum contato com o vírus B.

 

FORTALEZA - Apesar dos resultados da região Nordeste já terem sido divulgados, a supervisora de Vigilância Epidemiológica da Secretaria Estadual da Saúde, Dina Cortez, afirma que os dados estatísticos ainda não foram repassados pelo MS para o Governo do Estado. Ela explica que, para ter uma estimativa de quantas pessoas são portadoras dos vírus da hepatite, a Sesa aplicará as porcentagens da região Nordeste na população do Ceará e de Fortaleza.

 

Sobre as ações da Sesa com relação à doença, a supervisora afirma que o Estado já vinha trabalhando com o programa adotado pelo MS, antes mesmo da realização do inquérito. “A portaria estadual n° 730 de 10 de maio de 2005 instituiu o Comitê Estadual para a Prevenção e Controle das Hepatites Virais, que visa trabalhar as políticas de controle da doença”, conta.

 

O inquérito, segundo Dina Cortez, norteará as ações da Secretaria de Saúde no Ceará. “Dia 4 de novembro, realizaremos a primeira reunião do Comitê para começarmos a traçar as diretrizes de combate às hepatites”, adianta.

 

A repórter viajou a convite da Bristol-Myers Squibb.

 
Publicado em 04/11/2005 17:05:40
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