O CENTRO DE CONVIVÊNCIA JOANA D’ARC realizou sua segunda enquete, em seu site, abordando o seguinte tema: As escolas devem investir em atividades sobre Sexualidade e Diversidade Sexual ?. No total, 34 pessoas participaram desta nova enquete. Os assuntos relacionados à temática variaram desde a quebra de preconceito até sobre o papel das escolas e de como esta questão influenciará o aluno. Apesar dos resultados demonstrarem que o tema começa a ser encarado como uma questão de fortalecimento dos conhecimentos individuais, da aceitação da diversidade e dos direitos sexuais, ainda existe resistência ao tema, assim como diversas distorções entre orientação, opção e desejo. Veja a análise dos resultados: a) 03 % acreditam que este assunto não deveria ser tratado na escola, pois não é de sua responsabilidade. Engano. Cumpre lembrar que o papel da escola não é somente repassar conteúdos, mas de educar para a vida. Neste caso, todo assunto que envolva a percepção do indivíduo, assim como se relacionar consigo mesmo e com a sociedade, cabe nos conteúdos escolares; b) 12 % acreditam que este assunto não deve ser tratado nas escolas, pois as crianças e adolescentes podem ser influenciadas na sua opção sexual. Preconceito. Em primeiro lugar, a palavra “opção” sugere escolha. Ninguém escolhe a sua sexualidade, mas “sente” que seu desejo tem um destinatário. E, neste caso, não há como impedir. Outra questão é aquela antiga máxima de que “diga com quem andas, que digo quem és”. Ninguém é influenciado a ser bissexual porque o (a) amigo (a) gosta de se relacionar com os dois sexos. Mesmo que “experimente”, o seu desejo falará mais alto. Portanto, caso a informação acima ocorresse de fato, todas as pessoas que recebem carinho, respeito e consideração de seus pais seriam seres perfeitos. E a vida demonstra que toda regra tem sua exceção ... c) 12 % informa que depende da demonstração desta necessidade por parte dos alunos. Caso contrário, deveria ser respeitado o tempo de aprendizado natural do indivíduo. Falsa Democracia. Percebemos que existe a necessidade de se falar sobre sexualidade junto aos alunos, devido ao alto índice de gravidez precoce e de rejeição às diferenças sexuais. Muitos (as) alunos (as) abandonam os estudos devido ao grande preconceito sofrido no ambiente educacional, devido à gestação ou por ser “diferente” sexualmente, seja por parte dos alunos ou pelos profissionais da educação, que não tem estrutura, nem formação para lidar com o assunto. d) 15 % responderam que sim, desde que sejam utilizadas palavras ou temas que não fujam da moral social vigente. Em termos. O que significa “moral social vigente” ? Em tempos de internet e acesso ilimitado a diversas informações, os padrões morais mudam de forma vertiginosa. O que era moralmente inaceitável há décadas atrás é tratado como “assunto ultrapassado” hoje. A forma de linguagem mudou, a percepção de vida também. Também não devemos relacionar a “moral” com “dogma religioso”. Portanto as informações, desde que não sejam distorcidas ou que causem danos, devem ser socializadas e as questões sexuais fazem parte deste “pacote”; e) 59 % responderam que a escola deveria discutir sobre o assunto, pois quebraria o preconceito e reforçaria a idéia de que todas as pessoas são iguais, com desejos sexuais diferentes. Parabéns ! O Ministério da Educação, após 78 anos de existência, começou a perceber a dificuldade do corpo docente em lidar com a questão da sexualidade e diversidade sexual e, a partir desta década, incluiu esta discussão nos conteúdos e/ou currículos transversais e, em 2005, abriu uma concorrência pública para contratar ONG ou OG que desenvolvam projetos voltados a formação de profissionais da educação para discutir a diversidade sexual. Belo passo ... Por fim, devemos lembrar que vivemos em uma sociedade ”heteronormativa” ou seja, que todas as regras e normas são direcionados as pessoas heterossexuais, desconsiderando que existem várias orientações e desejos sexuais. Todas as pessoas são iguais. Porém, as suas necessidades, os seus sonhos e seus desejos são diferentes. Por isso, somos seres “unos”. Que bom !!! |